L’Occitane aposta no turismo de bem-estar

Em um mercado que só faz crescer no mundo – o de spas e wellness associados às viagens –, a gigante francesa volta a investir forte no mercado hoteleiro do Brasil. E a executiva Adriana Franconeri tem a missão de liderar essa cruzada na multinacional, que mira, agora, o interior do País.

Viagens de bem-estar crescem mais rápido no mundo do que o turismo de lazer ou de negócios. É o que aponta estudos recentes do setor: a experiência wellness – este novo ‘mantra’ do mercado de luxo global –, entrou de vez no plano de viagem do turista moderno. Uma busca por relaxamento que tem feito os hoteis investirem pesadamente em novos e melhores equipamentos de spa.
No Brasil não é diferente e uma marca, em especial, tem faturado alto com esta tendência: a francesa L’Occitane. Após uma primeira incursão no setor, no início dos anos 2000, a empresa retirou-se da maioria dos hoteis no Brasil. Desde o começo desta década, porém, voltou com força total e, atualmente, conta com 19 parcerias ativas. Apenas em 2016 foram inaugurados oito novos spas dentro de hoteis brasileiros. Fora isso, o Brasil é o mais relevante mercado de spas da marca no mundo: são 24 no total. À frente de todo este processo de expansão está Adriana Franconeri, a gerente de Spas e B2B da multinacional no País. Publicitária de formação, Adriana trabalha para fomentar ainda mais a expansão da marca no negócio de bem-estar – que, no mundo, movimentou US$ 701 bilhões em2016 (US$99 bilhões apenas em spas, um ano antes).
Para 2018, a meta da L’Occitane é conquistar o interior: Foz do Iguaçu (PR), Amazônia e Pantanal estão no radar dos executivos da marca e as conversas com hoteis de luxo destas regiões já foram iniciadas. “Queremos estar nos melhores destinos ligados à natureza”, afirma a executiva. No ano seguinte, deve entrar em funcionamento a segunda fábrica da marca no Brasil. A planta está sendo construída em Itupeva, interior de São Paulo, e será destinada à produção das linhas da marca Au Brésil (leia mais aqui).
Adriana recebeu Business Luxo na unidade própria da marca no bairro da Vila Nova Conceição, localidade nobre da capital paulista. Ali são realizados cerca de 700 massagens e tratamentos por mês. Dentre os mais procurados estão os tratamentos continuados, que combinam uma série dez massagens e terapias a custo médio de R$ 2 mil o pacote. Em suma: a tendência wellness chegou para ficar no Brasil.
“É uma mudança recente da cultura de consumo do bem-estar. Não é só vir, fazer uma massagem e ir embora. As pessoas passaram a entender que isso é uma forma até de prevenir certas doenças e dedicam uma parte do seu orçamento para isso.”

Spa L’Occitane no hotel Gallery Santa Teresa, no Rio: um dos 19 dentro do setor

Business Luxo – Depois do sucesso no varejo brasileiro, a L’Occitane volta a investir no setor hoteleiro – de onde saiu estrategicamente em meados dos anos 2000. Por que a volta?
Adriana Franconeri – A empresa fez uma reavaliação dos seus negócios na época e acabou fechando operações que não estavam funcionando. No início de 2010, passamos a retomar este interesse no setor e viemos crescendo desde então. Só no ano passado abrimos oito spas em hoteis brasileiros. No total, são 19, quase todos no litoral. Para 2018, buscamos regiões do interior, como o Pantanal, Foz do Iguaçu e Amazônia – além de Fernando de Noronha. Queremos estar nos melhores destinos do Brasil ligados à natureza.

B|Luxo – Qual a importância desta divisão de spas hoje na companhia?
Adriana – O Brasil é o maior negócio de spas para a marca L’Occitane no mundo! Temos um número expressivo de tratamentos realizados mensalmente. Este sucesso todo tem ajudado a desenvolver novos mercados e, hoje, já são 90 spas nossos em hoteis por todo o mundo.

B|Luxo – Qual a sua análise deste resultado tão positivo?
Adriana – Crescemos mais de 30% ao ano. Estudos apontam que o turismo de bem-estar no Brasil – e no mundo – cresce mais rápido do que o turismo de lazer e o de negócios. As pessoas têm viajado em busca de um resgate físico e emocional. Isso tem levado os hoteis a investirem para melhorar os seus equipamentos de wellness.

Nannai Resort (PE) tem o spa hoteleiro da marca mais rentável no Brasil

B|Luxo – Quais são as operações que se destacam no País?
Adriana – O Nannai Resort (PE) é um dos mais antigos e um dos que mais fatura: tem média de 60% de ocupação da agenda de tratamentos. O Hotel Toriba (Campos do Jordão/SP) e Sofitel Guarujá (interior de SP) também. No Transamérica Comandatuba, retomamos a parceria recentemente, com direito a uma linha exclusiva de produtos para eles. Nos spas da marca em São Paulo (cinco), essa média de ocupação chega a 70%-80% mês. Na unidade aqui da Vila Nova Conceição são cerca de 700 tratamentos mensais, com um crescimento de 68% em 12 meses.

B|Luxo – Quanto custa e quais os benefícios para o hotel em ter um spa da marca em seu menu de serviços?
Adriana – O contrato padrão é de R$ 20 mil mais 5% de royalties sobre o faturamento do spa. Não operamos, apenas fornecemos os produtos, treinamos as equipes e desenvolvemos a experiência. Muitos spas não têm conceito e a marca entra com isso. É um ponto positivo para o parceiro hoteleiro, por agregar mais valor à sua operação total. Além disso, a L’Occitane tem um posicionamento de marca de luxo no Brasil. E o cliente hoteleiro quer, através do spa, ter este diferencial.

B|Luxo – No varejo brasileiro há mais de duas décadas, a L’Occitane já está consolidada no mercado e é bem avaliada pelo consumidor. Isso ajudou no crescimento dos spas da marca?
Adriana – O sucesso do spa é reflexo direto de nosso sucesso no varejo no Brasil. Acho que estamos entregando muito bem nestas duas pontas. Há o reconhecimento de marca, a distribuição do varejo está bem-estruturada e a qualidade dos produtos, garantida. Tem uma conexão total entre o que a gente propõe de bem-estar nas massagens e o que eu entrego nos produtos do varejo. E isso faz toda a diferença.

Unidade na capital paulista: 700 massagens por mês e tratamentos de R$ 2 mil

B|Luxo – Wellness é o mantra do momento do mercado de luxo global. Na matriz da L’Occitane, os franceses devem estar comemorando muito estes resultados no Brasil, não?
Adriana – É uma mudança recente da cultura de consumo do bem-estar. As pessoas atualmente têm esta verba, investem nestes tratamentos continuados. Não é só vir fazer uma massagem e ir embora. As pessoas passaram a entender que a massagem funciona até como forma de prevenção de certas doenças, e dedicam uma parte do seu orçamento para isso. Bom para nós!

(De São Paulo)