Wellness: o novo mantra do luxo

O consumo de bem-estar deve ser o novo eldorado do mercado de luxo global na próxima década. Consultorias internacionais como a Euromonitor cravam um crescimento para o setor de 17% ao ano até 2021, alcançando um faturamento na casa dos US$ 830 bilhões. Em 2016, o segmento de wellness movimentou US$ 700 bilhões. Veja a comparação com o setor de artigos de uso pessoal para os próximos cinco anos:

Luxury Goods + 16%
US$ 292 bilhões (2016) >>> US$ 450 bilhões (2021)
Wellness +18%
US$ 700 bilhões (2016) >>> US$ 830 bilhões (2021)

(Dados: Euromonitor)

Healthy is the new Wealthy
Traduzindo, o consumidor de luxo global – que recentemente passou a valorizar mais as experiências emocionais -, tem buscado viver mais do que ter mais. E isso tem tudo a ver com os millennials: 73% desta nova geração comportamental diz que abre mão de um carro 0km ou de uma bolsa nova para viver uma experiência sensorial transformadora.

Spa Harnn Heritage, do hotel InterContinental, no Vietnã: eleito o melhor do mundo em 2016

O despertar das marcas
Essa mudança no mindset de consumo de luxo tem colocado ‘para correr’ os estrategistas das principais marcas do segmento. Se as novas gerações precisam de mais ‘significado’ e menos de logomarca – muito embora nem os millennials abram mão de conforto e qualidade superior –, as brands precisaram se mexer rapidamente. O resultado disso são linhas de produtos e serviços já pensadas para atender à nova tendência. Na moda, por exemplo, as coleções chamadas de ‘athleisure’, que mixam o conforto com a performance esportiva, ganham cada vez mais espaço nas araras.

Tory Sport, a linha ‘athleisure’ da marca Tory Burch: conforto aliado à performance

Bem-estar até no shopping
A mudança é tão significativa que grandes lojas de departamentos – na necessidade de atrair de volta os clientes – têm criado espaços de wellness dentro de suas áreas de compras. Em Londres, a Harrod’s inaugurou recentemente a Wellness Clinic. O espaço conta com 14 luxuosas salas de tratamento e dois estúdios para personal trainer. Curiosamente, há um terceiro estúdio, este fotográfico, para que a cliente sinta as mudanças estéticas que este novo tipo de consumo tem lhe provocado.
Em Nova York, movimento semelhante fez a Saks Fifth Avenue, que abriu a The Wellery. No local, mais de 1.200 aulas fitness diferentes e focadas no bem-estar são oferecidas aos clientes, além de um espaço de beleza e de cuidados com o corpo.

The Wellery, na Saks de Nova York: momento de relaxamento entre uma compra e outra

Brasil na ponta
Todo este cenário pode beneficiar o Brasil. Somos, por exemplo, a maior operação de spas da marca francesa L’Occitane no mundo – segundo afirmou em entrevista para o site a gerente da área na multinacional, Adriana Franconeri (leia mais aqui). Já são 24 estabelecimentos no País, entre locais próprios e spas em parceria com hoteis. A notícia recente de que o interior de São Paulo receberá a primeira fábrica de cosméticos da marca em 2019 só reforça o protagonismo do Brasil nesta nova tendência.

Mudança de hábito
O consumo de wellness tem mudado nos últimos anos no País. O primeiro reflexo é o aumento deste tipo consumo, com o brasileiro entendendo que este é um tema mais ligado a saúde do que à estética. O segundo movimento é um crescimento do turismo de bem-estar, com o viajante buscando associar o lazer a um estado de espírito mais leve – seja por conta de atividades corporais, estéticas, sociais ou ambientais.

Spa L’Ocittane, em São Paulo: média de 700 atendimentos por mês

Quem ganha?
No final, esta tendência wellness pode beneficiar outros tantos setores da indústria do luxo – e não apenas a moda, a beleza e o turismo. Há companhias aéreas e marítimas que já investem em programas de bem-estar para os seus passageiros à bordo.
Em palestra que dei no final de julho, durante a feira de móveis de alta decoração ABIMAD 24, em São Paulo, comentei com a plateia de que o segmento tem muito a faturar com essa novidade. Isso porque o sentimento de bem-estar pode começar na sala de estar das pessoas, com um mobiliário pensado para isso.

Mobiliário do Wellness Clinic, na Harrod’s, em Londres: papel importante do design

Todos!
Arquitetos e decoradores podem pensar seus projetos reforçando a mensagem de um ambiente mais saudável e reconfortante para o usuário. E por quê não pensar em wellness aplicado à alta gastronomia, a aviação, ao setor automotivo, enfim. Ganham as empresas, ganha o consumidor.

Fabiano Mazzei é fundador e diretor do site Business Luxo. É o fundador da agência de conteúdo e consultoria Luxury Content & Consulting, consultor de novos negócios e palestrante.