Vamos voltar a crescer em 2017

Analistas do mercado de luxo apostam nisso. Classe média chinesa de bolsos cheios, economia russa em recuperação, promessas de Donald Trump e a subida do preço do petróleo seriam os indicadores. O ritmo de crescimento, porém, será diferente.

O ano de 2016 marcou a primeira queda no segmento desde a crise na economia americana em 2008. Foram US$ 258 bilhões em faturamento, uma ligeira retração de 1%. Mais do que os números, o ano passado criou o que os especialistas estão chamando de “nova realidade”. Segundo a consultoria Bain & Co., o setor crescerá novamente já neste ano que se inicia, mas a índices mais modestos.
Ainda com base no último relatório da Bain & Co., espera-se mais de 30 milhões de novos consumidores chineses entrando no mercado até 2020. É a renda da classe média do país comunista, cada vez mais robusta. Na contramão, brasileiros e russos sofrem com a resiliente fragilidade de suas economias. Neste cenário, a consultoria acredita em índices de crescimento anuais entre 3% e 4% de 2017 a 2020.
Em janeiro passado, o Savigny Luxury Index divulgou seu relatório em Londres onde apontava para o mesmo caminho. O BNP Paribas foi mais otimista: 5% de crescimento já para o primeiro semestre. No que eles se basearam para tal?

Bons ventos
Primeiro, a classe média chinesa, a cada ano mais rica e engrossando o volume de vendas locais. Depois, Trump. O perfil ‘empresário’ do novo presidente americano, que já deu indícios de que diminuirá a carga de tributos sobre as grandes fortunas, passou a ser visto como uma esperança para que a economia americana volte a crescer. Ainda tem o Brexit, que desvalorizou a moeda inglesa e atraiu mais novos turistas a Londres. Que o diga a Burberry, que cresceu 3% nas vendas em 2016, acima da expectativa dos próprios gestores da marca.

Classe média chinesa vai às compras em todo o mundo em 2017.

Recuperação
O ano começou também com resultados positivos do Richemont Group (leia mais aqui), no grupo Kering (clique aqui) e com fusões importantes no segmento ótico: Luxxotica e Essilor, além da aquisição substancial de parte da fabricante italiana Marcolin pela Kering (veja aqui). Negócios bilionários que indicam ser esta uma área quente para os próximos anos.

Menos é mais
O Boston Consulting Group (BCG) e a Bernstein Property Luxury Store Database, que mapeia mais de 7 mil lojas do segmento em 36 países, tem outra preocupação. Com a meta das marcas de diminuir suas redes de lojas e o aumento do consumo online (8% de crescimento em 2016), a ordem do dia é investir nos endereços mais valorizados das principais cidades. A ideia é ter menos lojas ‘marginais’ e ter recuperadas as flagships, os templos de consumo, promovendo ainda mais experiências aos clientes. Tudo para otimizar e aumentar a eficiência nas vendas.

Tsvetnoy Central Market, em Moscou.

Menos é mais 2
As estratégias de negócios das marcas para este ano deverão contemplar desde o fechamento de lojas e pontos de venda a ações mais pontuais nos mercados emergentes. A ordem é gastar dinheiro e energia somente onde existam sinais claros de retorno dos investimentos.

Tempo nublado
E o Brasil? Crescerá também? Difícil avaliar. Na perspectiva que temos, há um ano inteiro ainda de Lava Jato, com todo o impacto das investigações no governo atual – e nos reflexos disso na política econômica. Para complicar um pouco mais, teremos eleições presidenciais já em 2018. E, como sabemos, anos eleitorais significam retrações de investimentos e expectativa – nem sempre positiva – sobre o futuro novo governo. Há, portanto, muitas nuvens à frente para que nós possamos enxergar algo mais nítido no horizonte. É aguardar – e trabalhar.

Fabiano Mazzei é diretor/fundador do portal Business Luxo, coordenador do conteúdo Luxury Management no IED-SP e criador da agência Luxury Content & Consulting.