Não falta dinheiro, falta humor!

O mercado de luxo brasileiro já começa a sentir a crise. Esta sensação foi assumida por todos os players nacionais presentes no II Fórum MCF, promovido pelo instituto liderado por Carlos Ferreirinha, realizado no dia 9/05, em São Paulo. Claro, o consumidor do segmento costuma ser mais resistente às oscilações da economia. Porém, ele não está isento de sentir o mal-estar generalizado que domina a atmosfera do País. E, assim, passou a pensar dez vezes antes de sacar o cartão de crédito.

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“E não é porque lhe falta dinheiro, falta humor!” Quem me deu essa ótima frase foi David Szpiro, diretor da marca de relógios britânica Breitling, durante um agradável almoço no Chez MIS, o charmoso restaurante do museu paulistano. Szpiro explicou: “O empresário que acabou de mandar 50 dos funcionários de sua empresa embora, não tem ‘humor’ para chegar numa loja e comprar um relógio novo.”

Luxo no divã
É a reflexão a ser feita. Fato, o mercado de luxo sente depois a crise econômica em qualquer lugar do mundo. Mas este é um segmento emocional: as compras não são realizadas enquanto se lamenta a perda de parentes, empregos ou de um País todo. Sobretudo para itens como vestuário, relógios, eletrônicos de ponta. É, em boa parte, o que vivemos hoje. Um certo constrangimento no ar, algo que já foi visto nos Estados Unidos pós-crise de 2008, só para lembrar de um exemplo recente.

Tempestade perfeita
Aliado à questão emocional, a desaceleração da economia e a alta do dólar – o que fez despencar os gastos dos brasileiros no Exterior nos últimos dois anos – formam a tempestade perfeita que faz os tomadores de decisão das marcas internacionais e nacionais a adotarem estratégias mais conservadoras. “Uma loja da Louis Vuitton custa, em média, R$ 25 milhões para ser construída e inaugurada. E, um aporte deste tamanho agora no País não está nos planos”, revelou Alexandre Frota, CEO da Maison francesa no Brasil.

Enquanto isso, na fila da Receita…
Só para se ter uma ideia, a mesma Breitling em 2013 tinha metade do seu faturamento na loja de Miami oriunda de brasileiros. Em Orlando, ainda mais: 70% das vendas. Em Nova York também, 50% dos relógios que saiam da loja nas sacolas dos turistas iam parar em pulsos tupiniquins. E agora? Não chegam mais nem perto disso.

Ou muda… ou muda.
No debate entre membros da Abrael – Associação Brasileira das Empresas de Luxo – (leia mais clicando aqui), a tese era única: o maior desafio para os investidores estrangeiros é entender e se adaptar às mudanças constantes nas regras do jogo no ambiente de negócios local. Nossos impostos excessivos e as questões trabalhistas complexas são coisas difíceis de fazer os estrategistas de fora compreenderem.

What is ‘dissídio’?
Os executivos do painel até brincaram. “Explicar o que é ‘dissídio’ para os diretores na matriz é muito complicado!”, disse Manoela Guedes, diretora de I-Retail do Grupo Iguatemi e responsável pela chegada de marcas como Louboutin, DVF, Goyard e, em abril passado, a Polo Ralph Lauren.

Dissídio ou Delcídio?
Se explicar o dissídio salarial brasileiro já é algo tenso, imagina fazer o gringo entender quem é o Delcídio (do Amaral, o senador agora cassado) e todo o mar de lama que transborda de Brasília? Haja retórica!

Fabiano Mazzei, diretor de conteúdo
Business Luxo