O luxo do bem-estar

Sentir-se confortável – socialmente inclusive – na hora da compra é a tendência em alta no comportamento dos consumidores de luxo. Um cliente cujo estilo de vida prioriza cada vez mais as experiências transformadoras para o corpo e para a mente. (*)

Não é de hoje que o consumo de luxo tem sido impactado por outros valores além daqueles mais tradicionais – a exclusividade, a tradição, a atemporalidade e a experiência. Neste último, a questão tem sido não apenas encantar o cliente durante o processo de compra, mas dar um significado legítimo ao momento da aquisição.

Viva! Sinta! Compre!
A tal ‘experiência genuína’, que leva o consumidor a trocar uma suíte cinco estrelas por um apartamento mais original e ‘nativo’; uma imersão na cultura local ao invés de uma tarde de compras no shopping; um carro esportivo elétrico àquele beberrão de doze cilindros.
Hoteis que mantêm boas práticas sustentáveis, resorts de praia que respeitam os limites ambientais, spas que oferecem tratamentos não apenas estéticos, mas espirituais e de auto-conhecimento, operadoras de cruzeiros que levam os passageiros a conhecer e comprar de negociantes locais. Tudo em nome de se vivenciar algo mais em compasso com a realidade.

Horta no hotel Kura, na Costa Rica: produção de hortaliças e frutas é tendência nos hoteis 

Novo chip
A partir deste ponto, estes consumidores têm buscado uma sensação de bem-estar que esteja em sintonia com valores, digamos, mais humanos. Solidariedade, respeito à cultura local, vigilância sobre a legalidade dos processos produtivos, tudo isso passa a importar cada vez mais.

Espelho
Portanto, este é um fenômeno que tem tudo para crescer dentro da indústria de saúde e beleza. Isso porque cuidar de si passa a gerar mais prazer quando se cuida dos outros também. Dados do instituto Euromonitor apontam que este é um segmento que movimentou US$ 701 bilhões em 2016 e deve crescer 17% nos próximos cinco anos. A expectativa é de um volume de US$ 833 bilhões até 2021. Apenas como comparação, o consumo de itens pessoais de luxo cresceu somente 1% em 2016 (Bain&Co.).

Espelho 2
Outro relatório recente, da consultoria McKinsey & Company e em parceria com o site Business of Fashion, apontou exatamente para o crescimento deste mercado – o do bem-estar associado ao luxo. Algo que vem atrelado à economia criativa e de transformação.
Gastar dinheiro com experiências que agreguem valor ao corpo e a mente – sem que se perca de vista evidentemente algumas questões como o conforto superior e os serviços a altura do ticket médio destas compras. Neste novo comportamento, ‘feeling good is the new looking good’.

O simples e o sofisticado no menu de ofertas para os novos consumidores do luxo

Crise de consciência?
Não, o luxo não está no divã. Esta mudança no comportamento teve início com as gerações mais jovens (os millennials), filhos e netos de consumidores tradicionais do setor. Uma turma que não se deslumbra mais com logomarcas e o status associado ao segmento, e querem algo mais original e socialmente responsável.
Num segundo ato, esta nova atitude já não é mais relativa à idade de quem compra. É uma nova ordem de consumo mundial de luxo que ganha terreno, um novo mindset, levando as empresas do setor a trabalharem firmemente em novas estratégias. Proporcionar um significado, muito mais do que ‘glamour’, aos clientes é a meta dos próximos anos. Quem viver, verá – e sentirá a diferença.

(*) Artigo inspirado em post do site Business of Fashion.

Fabiano Mazzei é jornalista, fundador e diretor do site Business Luxo.