Desafio digital domina o debate no FT Business of Luxury 2015

Ouço, leio e assisto aqui e ali a repercussão da recente conferência internacional do Financial Times em Mônaco, sobre o mercado de luxo global. Dentro e fora do Sporting Club Monte-Carlo, onde fora realizado o congresso, o debate predominante foi sobre o dilema da era digital: como conviver? Como absorver e crescer?
Business Luxo e esta coluna já abordou o tema lá no começo do ano. Leia aqui.
Agora, o Instituto McKinsey expôs o cenário: 75% das compras no segmento luxo são direta ou indiretamente influenciadas por informações obtidas na internet. E 80% destes consumidores usam as redes sociais para isso ao menos uma vez por mês. Aliado a isso, 95% das pessoas que consomem luxo no mundo possuem um smartphone.
As marcas já entenderam precisam estar presentes cada vez mais neste ambiente digital. A questão é como fazer.

Ação e (não) reação
Uma coisa que ficou clara aos presentes no FT Business of Luxury Summit 2015: de nada adianta estar online se não for possível vender o produto ali, no mesmo clique. Ou seja: sem um eficaz e-commerce associado, ter um bom site próprio ou rede social ativa será irrelevante. Eis aí, por exemplo, um dos maiores “pecados” do Instagram: uma rede que consegue encantar milhões de seguidores com imagens belíssimas, mas que lhes nega o direito de compra. Uma sedução que tem perdido o sentido. Um estímulo que não satisfaz ao final.

Mensagem correta
Estar digital sem uma curadoria de conteúdo também é uma estratégia suicida. Pior do que não se estar online é estar mal-apresentado. Antes ausente com consciência do que presente de forma negativa.

Print vs Online
O mercado editorial vive essa discussão há mais tempo. No final dos anos 90, ficou claro de que a internet mudaria a forma de como as pessoas consumiriam a informação dali por diante. E o que foi feito quanto a isso? No Brasil, quase nada.
Lembro de muitos jornalistas à época condenando revistas e jornais à uma morte anunciada. Era o fim do papel! Só que não. Ambos os meios coexistem e se há crise na imprensa atual, a culpa não é da internet. Tem mais a ver com má gestão do que com algum tipo de “maldição online”.

Johann Rupert, CEO Richemont Group: medo do impacto da tecnologia nos empregos do setor

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Ameaça ou oportunidade?
Johann Rupert, CEO do Richemont Group, disse no evento do FT que temia por desemprego em massa causado pela corrida tecnológica do momento. Será? Acredito mais na oportunidade do que na catástrofe. A hora é de inovação, criar alternativas, tirar proveito da tecnologia para abrir novos caminhos. É pensar o futuro do mercado de luxo e construi-lo a cada minuto. A cada clique.

Fabiano Mazzei
Diretor | Business Luxo