China attack!

 

Grupos de investimentos da China compram tudo no mundo todo: redes de hoteis, imóveis, empresas de turismo e entretenimento. E o Brasil está muito perto de entrar nesta conta.

Com a crise econômica instalada em diversos países, é hora de quem tem dinheiro sobrando no caixa ir às compras. É assim com os chineses. Mesmo fechando 2016 com um crescimento econômico abaixo do obtido nos últimos anos – na casa dos 6,7% -, grandes grupos financeiros do país comunista estão indo à forra e comprando tudo em busca de mais rentabilidade e segurança para os seus investimentos. No ano passado, por exemplo, o conglomerado Anbang Insurance adquiriu 16 dos mais sofiticados hotéis nos Estados Unidos, incluindo unidades do Four Seasons e Marriott, por U$ 6,5 bilhões. O mesmo grupo chinês já havia pago US$ 1,95 bilhão pelo emblemático Waldorf Astoria, em Nova York, um ano antes.

E o Brasil nessa?
Informações deste colunista confirmam o interesse destes grupos no setor hoteleiro do Brasil. Sim, os chineses estariam interessados em 30% do mercado nacional e já existem movimentos neste sentido. O investimento seria da ordem de US$ 1 bilhão e teria como alvo os resorts do Nordeste brasileiro. Muitos dos quais, aliás, já têm recebido a visita de comitivas de representantes destes investidores nos últimos dois anos.

Resorts brasileiros na mira dos investidores chineses: interesse no turismo nacional

Brasil 2
E há outros grandes interessados em nossas praias. Pesquisa recente da agência de inteligência de turismo ForwardKeys aponta que a América Latina, em especial o Brasil, tem surgido mais e mais no radar dos turistas chineses. Em 2015, foram cerca de 70 mil a chegar por aqui. No ano passado, a estatística ainda não confirmada aponta para 100 mil.

Vizinhos
Mas não é apenas no Ocidente que se concentram os investimentos chineses em hotelaria de luxo. O vizinho Cambodja, destino exótico e cada vez mais procurado por turistas de alta renda, receberá um aporte de US$ 3 bilhões de um grupo chinês para a construção de dois hoteis seis estrelas até 2022.

Todos à bordo!
Ainda sobre o turismo, o mercado de cruzeiros da China é, ao lado do norte-americano, um dos mais cobiçados pelas empresas globais do setor. Estima-se que alcance 2,5 milhões de turistas até 2020 e 7 milhões de pessoas até 2030. Isso tem atraído não apenas as armadoras de cruzeiros, mas estaleiros que buscam construir seus navios de passageiros em portos chineses.

Segundo maior do mundo, mercado de cruzeiros da China deve embarcar 7 milhões de passageiros até 2030

A mina de ouro
A economia chinesa fechou 2016 com crescimento na casa dos 6,7%, mesmo percentual esperado para este ano. Um resultado que se não é deslumbrante como os de outrora, ainda assim é capaz de resolver o problema de muitas marcas de luxo que atuam no país comunista. A Mercedes-Benz, por exemplo, vendeu 472,8 mil carros na China no ano passado – alta de 26,3%. Um recorde histórico para a montadora alemã, que ficou em terceiro lugar em vendas no Brasil no mesmo período (leia mais aqui)

O ano do galo
Outra evidência de que a China permanecerá no centro das estratégias das brands do segmento é o grande número de produtos que tem o galo como adorno principal. Explica-se: a ave representa o novo ano chinês, comemorado a partir de fevereiro. Logo, para fisgar mais compradores daquele país, as empresas têm investido em produtos com o animal estampado. Só a indústria de alta relojoaria apresentou no último Salão de Genebra seis modelos em homenagem ao galináceo.

Homenagem: galo é a figura central de muitas marcas de luxo em 2017 para atrair novos clientes

Fabiano Mazzei é jornalista, fundador e diretor do site Business Luxo.