Um ano desafiador

 

“Um ano desafiador”é a frase de 2015. Só tenho ouvido isso por aí, nos mais diferentes lugares e idiomas. Não é para menos, o cenário está longe de animar e “desafiador” parece o mínimo a ser dito de um ano sem esperança de crescimento na economia do País.
Mas, como em toda crise, há oportunidades a serem aproveitadas. É hora de rever as estratégias, sair da zona de conforto e inovar nos processos e no pensamento. O recente relatório da Bain&Co., de maio, além de fazer um update do cenário para o ano – onde administrar bem câmbio, o ajuste de preços e o turismo global serão fatores preponderantes para se sobreviver –, faz também um paralelo entre o que era o mercado de luxo em 2000 e agora. E é interessante notar a evolução do segmento em quinze anos desta pesquisa. Veja alguns números:

>>> Em 2000, o faturamento foi de € 128 bilhões. Neste ano, estão previstos € 228 bilhões em movimentação.

>>> Antes, a consciência de preço e o fator online tinham papel limitado decisão de compra do consumidor. Hoje, 60% das marcas têm sites com os valores dos seus produtos e o nível de comparação de preços é altíssimo.

>>> O turismo global respondia por 35% das vendas, com americanos e japoneses viajando essencialmente para a Europa. Atualmente, cerca de 50% das vendas de luxury goods no mundo vem dos turistas, na sua maioria chineses e viajando para os quatro cantos do planeta!

>>> Em 2000, havia 140 milhões de consumidores de alta renda no planeta. E menos de 2% vinham da China. Em 2015, são mais de 350 milhões de pessoas comprando itens de luxo. E mais de 30% desta turma é formada por chineses.

É fato, portanto, que a despeito das intempéries na economia aqui e acolá, o segmento prospera. A questão é enfrentar o período de turbulência com um plano de vôo mais equilibrado.
O relatório enumera os desafios: harmonizar os preços internacionais sem ceder demais na margem; reduzir a marcha expansionista para concentrar energia onde se precisa; mudar o papel das lojas físicas em tempos de consumo online; buscar resultado em ações pontuais de engajamento e não mais no mass market; agradar aos turistas sem desagradar o consumidor local.
Fácil? Não, definitivamente não é. Para um horizonte tão nebuloso e complexo, será preciso ter coragem e espírito inovador. Tudo o que os precursores deste mercado tão cobiçado sempre tiveram de sobra.

F.