Faltam mulheres na alta joalheria?

A ausência de mulheres em postos de comando das principais maisons da alta joalheria é cada vez mais tema de debate no mercado de luxo mundial.

Em tempos onde o empoderamento feminino é pauta unânime, como justificar o fato em um segmento onde o consumidor final é essencialmente do sexo feminino?
A inquietação foi o motivo principal que estimulou a criação de uma organização para discutir o papel da mulher na joalheria: Mujeres Brillantes (www.mubri.com), com sede no Panamá. E coube a uma brasileira a autoria e a direção da iniciativa, a gaúcha Ali Pastorini.
Empresária do setor e vice-presidente da World Jewerly Hub – uma das 31 bolsas de diamante do mundo e a primeira do gênero na América Latina –, Pastorini fundou a Mujeres Brillantes em 2016. Seu objetivo é colaborar com a capacitação das profissionais do segmento, realizando eventos de relacionamento, workshops e visitas às empresas do ramo.
“Buscamos dar ferramentas a elas, para se desenvolverem profissionalmente – de gestão ao marketing, de comunicação até o jeito de vestir”, explica Ali Pastorini, em entrevista ao Business Luxo.
Segundo Ali, a presença da mulher no comando das marcas só trará benefícios. “Temos uma visão mais ampla e atenta aos detalhes, sobretudo no controle dos gastos. Sabemos nos comunicar melhor também, até por sermos consumidoras das joias”, afirmou.

Ali Pastorini defende maior capacitação na joalheria

>>> 03 Dicas para a mulher que quer atuar no setor:
Empreendedora
“Viajar mais, participar de feiras internacionais, conhecer as tendências, estudar cases de sucesso mundiais, saber o que outras marcas, concorrentes ou não, estão fazendo.”
Gestora/Executiva
“Buscar mulheres para formar os quadros profissionais em suas empresas, e promover sua capacitação oferecendo cursos de gestão, marketing, e de empreendedorismo.”
Vendedora
“Aprimorar o conhecimento com cursos, aumentando o conhecimento adquirido de joalheria, gemologia, e atendimento ao público. O cliente de joias é muito exigente e atualizado.”

A presidente da organização lidera um world tour em 2018, ministrando cursos e palestras, além de prestar consultoria especializada a empreendedoras do setor. Em março, a executiva esteve em São Paulo. Ainda neste ano, o tour passará por países como a Colômbia, Equador, Espanha, Portugal, Turquia e até Rússia.

Cenário Brasil   Ali Pastorini avalia a atuação do empreendedor brasileiro no segmento ainda muito aquém do ideal. “Há uma visão muito romantizada ainda da joalheria por aqui. Vejo muitas empresárias pouco atualizadas no tema e com grande dificuldade de expandirem suas marcas, seja no Brasil, seja internacionalmente”, diz.
Outro gargalo para o crescimento do setor no País são os custos operacionais relativos ao mercado de pedras. A VP do World Jewerly Hub diz que é mais caro comprar uma esmeralda ou uma turmalina parahyba no Brasil do que no Exterior, “por culpa dos altos impostos que incidem sobre as pedras”. O Brasil e o 19o. maior exportador de diamantes do mundo, com a produção interna concentrada no estado da Bahia. Contudo, jazidas de grande porte e já mapeadas em Roraima e no Piauí ainda aguardam as licenças ambientais e as autorizações governamentais para poder serem exploradas.

(Da Redação|SP)