Turismo mundial redescobre o México

Com EUA e promessa chinesa, país se torna o destino latino mais procurado por estrangeiros dos cinco continentes. Apenas em 2016 foram 35 milhões de estrangeiros na terra do taco e da tequila.

As praias de mar caribenho, a cultura maia e a rica gastronomia sempre foram os cartões de visita do México no turismo mundial. De uns anos para cá, porém, outras ‘bandeiras’ foram levantadas: os esportes de aventura, o destino ‘familía’, a boa receptividade dos nativos, a causa LGBT e até a opção para casamentos no Exterior. Resultado: o turismo internacional tem redescoberto o México, algo comprovado pelos números: foram 35 milhões de estrangeiros a desembarcar no país em 2016 – alta de 9% em relação ao ano anterior.
Cerca de 60%, vem dos EUA e outros 10% do Canadá. Dentre os vizinhos latinos, os colombianos são os visitantes em maior número. No entanto, a estratégia de promoção mexicana tem buscado novos mercados e a China tem se despontado como o novo e mais promissor objeto de desejo.

O presidente chinês Xi Jinping e o mexicano, Enrique Nieto, diante da pirâmide de Chichén Itzá, em 2013

Em 2013, quando o presidente chinês Xi Jinping visitou o país, diversos acordos bilaterais de comércio foram assinados (a China é o segundo maior parceiro de negócios do México, atrás apenas dos EUA), e o turismo estava na pauta desta cooperação. Desde então, o fluxo de turistas chineses no país cresceu e, em 2016, chegou perto dos 80 mil visitantes – 40% acima do volume recebido um ano antes. O Brasil, em 2015, só recebeu 53 mil.
Segundo o órgão oficial do turismo mexicano, uma série de medidas foram tomadas para facilitar a vinda dos chineses. O fator fundamental foi a liberação do visto de entrada para aqueles que já tivessem o passaporte autorizado no vizinho Estados Unidos. Está vigor também o programa ‘Cerca de China’ (“Perto da China”). Internamente, trata-se de um imenso esforço para adaptar hoteis, restaurantes, agências de viagens, empresas de receptivos e a comunicação de diversos destinos turísticos do México – principalmente sítios arqueológicos maias e cidades históricas, locais que mais atraem os chineses – para se conectarem de forma mais eficaz com a cultura do visitante oriental.
Já na China, uma forte campanha de promoção do país latino também tem colaborado com o êxito do plano, além do aumento no número de vôos diretos entre as duas nações, com cerca de dez partidas semanais de ambos os países.

Castelo de Chapultepec, na Cidade do México: locais históricos na preferência dos estrangeiros que visitam o país

Alta renda
O turista chinês de maior poder aquisitivo também escolheu o México como seu destino preferido na América Latina. Com um nível de gastos em viagem muito superior à média do viajante comum (cerca de US$ 2.300), o que eles procuram são experiências mais inovadoras. Cidades com relíquias históricas do povo maia, centros gastronômicos e roteiros culturais têm espaço garantido no roteiro e no bolso dos mais ricos.
De acordo com uma análise do Merryll Linch para o Bank of America, em 2019 serão cerca de 174 milhões de turistas chineses viajando pelo mundo. Uma turma que, segundo a previsão do banco, vai desembolsar US$ 224 bilhões em suas viagens.

E o Brasil?
Em março, o Ministério do Turismo brasileiro anunciou o seu plano para atrair turistas da China. Uma lista com 304 agências credenciadas para receber os viajantes foi divulgada. A meta é que estas capacitem seus profissionais quanto ao idioma e à cultura chinesas. No entanto, nenhuma medida com relação à flexibilização do visto de entrada no País fora anunciada. E há outros problemas básicos. A página oficial do turismo brasileiro na internet, o visitbrasil.com, ainda permanece com versões em apenas três idiomas: espanhol, inglês e português. Para efeito de comparação, o site visitmexico.com vem traduzido em oito idiomas, além do espanhol. E o mandarim está entre eles.

(Da Redação|SP)