Por dentro do palácio

Um tour exclusivo pelo mais novo hotel de luxo do Brasil: o Palácio Tangará, o primeiro da grife Oetker Collection na América Latina. Acompanhe a visita de Business Luxo a um mês de sua inauguração.

O cantos dos pássaros do vizinho Parque Burle Marx – um respiro verde de 138 mil m2 na zona sul de São Paulo – só era interrompido pelo som do esmeril que polia o corrimão da escada que dá  acesso aos jardins e à piscina, na parte de trás. O cheiro de tinta fresca e o vai-e-vem de um batalhão de operários marcavam o ritmo da obra, iniciada em 2013. Já na fase dos retoques finais, enfim, o hotel Palácio Tangará entrou em contagem regressiva para abrir as suas portas.
A nona pérola do grupo Oetker Collection (que tem como logomarca um colar) será apresentada no dia 27 de abril. Um mês antes, porém, Business Luxo visitou o empreendimento e conta aqui – e em nosso no canal no YouTube também (*) – tudo o que viu e o que vem por aí.
Para começar, uma breve ficha técnica. O palacete em estilo clássico foi construído nos anos 1990 para ser um spa de luxo. No entanto, não chegou a receber um cliente sequer. Fechado por anos por questões societárias, o endereço foi cortejado por quase todas as grandes bandeiras da hotelaria mundial. Mas somente em 2015, o então novo dono (um fundo de investimentos americano) veio a público para anunciar que a propriedade sediaria a primeira ‘masterpiece’ da coleção Oetker na América Latina.

A fachada em estilo clássico do Palácio Tangará: quase tudo pronto

Quando for inaugurado, o Palácio Tangará oferecerá 141 quartos – 59 deles suítes –, divididos em 13 categorias. As plantas vão dos 47m2 da Suíte Júnior aos imensos 280m2 da Grand Suíte São Paulo. As diárias ficarão entre R$ 1,5 mil a R$ 38,5 mil. Na parte gastronômica, três destaques: o Burle Bar, para drinks e discrição; o Parque Lounge & Terrace, com mesas no lobby e no terraço próximo à piscina; e o Tangará Jean-Georges, restaurante do chef francês Jean-Georges Vongerichten – que comanda mais de 30 restaurantes no mundo e é dono de três estrelas Michelin – cuja principal atração deverá ser a Chef’s Table, mesa com 14 lugares e vista privilegiada para a cena da cozinha.

Primeira impressão
De volta ao tour, o que se vê por fora é um edifício elegante e sóbrio, que receberá os seus visitantes com um chafariz modernizado na entrada, balaústres nos terraços, gradis e toldos negros nas varandas. Inevitável aqui não se deixar levar por uma atmosfera com toques de Velho Mundo. O projeto de revitalização das fachadas, ajustes de ambientes bem como todo o conceito estético foi de responsabilidade do arquiteto William Simonato (o mesmo que assina outros empreendimentos de reconhecimento internacional na cidade, como o Edifício Seridó).

Ballroom para até 400 pessoas. Veja mais em Facebook.com/businessluxosocial

Caminhando pelas áreas sociais, à cargo do escritório da arquiteta Patrícia Anastassiadis, vimos uma hábil combinação de um olhar artsy e a premissa básica de se trazer para dentro dos ambientes a natureza verdejante que circunda o hotel. Grande janelas, aberturas de luz e tons claros encontraram a harmonia ideal com as obras de arte de Artur Lescher e Laura Vinci.
Chamou a atenção também a infraestrutura de eventos pensada no projeto. Serão nove salas com esta finalidade, a maior delas para 400 pessoas em jantar sentado, pé direito de 9 metros e área técnica digna dos grandes teatros. E, antes mesmo de começar a funcionar, já haviam sido feitas cinco reservas para casamentos neste espaço.
O spa será o primeiro operado pela Sisley dentro de um hotel no Brasil. Já ao final da parte externa, cercada de verde e de uma estrutura de arcos, a piscina, com os pássaros-símbolo do hotel (os tangarás) estampados no fundo. Sem dúvida, formou-se aí um dos mais belos cenários da cidade de São Paulo.

Qualidade e sofisticação
Business Luxo pode visitar também duas das suítes mais importantes do hotel (*): a Prestige Suíte (109m2) e a Prestige Room + Terrace (57m2). O design de interiores de todas as suítes, aliás, é assinado pelo estúdio Bick Simonato, que buscou aliar a sobriedade do projeto com uma identidade mais brasileira. O mobiliário, por exemplo, foi todo fabricado no País, com matéria-prima nacional. Nas paredes, fotografias com cenas de São Paulo, de autoria de Rômulo Fialdini. Nos corredores há também imagens da fotógrafa Dani Tranchesi, sempre fazendo referência ao Brasil. Em todos os quartos, os tons são pastéis e dominantes no azul, no bege, no cinza e no verde. Tudo de muito bom gosto e sem exageros.

Prestige Suíte, com 109 m2: uma das 13 categorias de quartos do hotel

Chamada pelo staff de ‘oásis urbano’ – a poucos quilômetros do Aeroporto de Congonhas e bem próximo à Marginal Pinheiros, uma das vias expressas mais importantes da capital paulista –, o Palácio Tangará será dirigido por Celso do Valle, experiente executivo ex-Emiliano e Belmond Cataratas. É neste oásis de conforto, serviços e praticidade e onde se poderá descansar, comer bem e realizar desde casamentos pomposos a meetings de negócios, que o maior desafio será, ao que tudo indica, convencer os futuros hóspedes a quererem deixar o hotel. Certamente, será um triste check out.

(*) Assista ao vídeo com a visita ao hotel em www.youtube.com/businessluxo

(De São Paulo)