Mercado ótico é novo foco de investimentos do luxo

Fusões e aquisições bilionárias agitam o mercado neste início de ano, revelando o interesse crescente no segmento por parte das marcas de luxo.

Um negócio de US$ 95 bilhões. É quanto vale o mais novo gigante da indústria ótica mundial: a Luxottica/Essilor, fusão entre a empresa italiana – que produz óculos para marcas de luxo como Prada, Bvlgari e Burberry – e a maior fabricante de lentes de grau do mundo, a francesa Essilor. O deal ainda estaria sob análise dos órgãos de comércio internacional, mas o fato é que 2017 já ficará marcado por grandes negociações no setor. Além deste acordo, o grupo LVMH anunciou, em fevereiro, a aquisição de 10% das ações da fabricante Marcolin, empresa italiana responsável pelos óculos da Montblanc, Cavalli, Emilio Pucci, dentre outras.
A fusão entre Luxottica e Essilor se tornou pública um mês antes, em Paris. A nova empresa já nasce líder de mercado, com 140 mil funcionários em todo o mundo. Além dominar o setor, a fusão resolveria um dos problemas da parte italiana: o da sucessão de seu fundador e CEO, Leonardo Del Vecchio. Aos 81 anos, Del Vecchio é considerado o homem mais rico da Itália. Com o acordo, a família permanecerá no comando, com 31% das ações da empresa.

LVMH e Marcolin
Em fevereiro, foi a vez do conglomerado LVMH adquirir 10% das ações da empresa italiana Marcolin. A partir de 2018, a nova parceira da gigante de luxo francesa passará a ser a fabricante preferencial na produção de artigos óticos para as marcas Céline e Louis Vuitton, da LVMH. A mudança afetará significativamente o faturamento da Safilo, que fabrica atualmente os óculos da Dior e da Céline, licenças da LVMH avaliadas em US$ 350 milhões.
Os dois negócios – Luxottica/Essilor e LVMH/Marcolin – confirmam o interesse crescente dos players do luxo global no setor ótico. Não é para menos. Em 2013, os fabricantes de óculos – de grau e de sol – e de lentes de contato faturaram US$ 95,3 bilhões. Segundo analistas, o volume deverá alcançar US$ 140 bilhões em 2020.
Este crescimento se deve ao aumento da presença da classe média na faixa de consumo. Isto porque investir em um ‘óculos de grife’ é um dos primeiros passos para quem está ingressando no luxo.
A tendência de se verticalizar esta linha de produtos dentro das marcas e grupos começou em 2014, quando a Kering (Gucci, Balenciaga, YSL) rompeu o contrato com a fabricante italiana Safilo. À época, o grupo pagou à fabricante italiana cerca de US$ 90 milhões para finalizar o acordo dois anos antes do prazo. Desde então, a Kering fabrica os próprios óculos para as respectivas marcas que representa.

Brasil em foco
O reflexo deste movimento do mercado também pode ser sentido no País. Em janeiro, a italiana Luxxotica comprou a rede de franquias Óticas Carol por US$ 117 milhões. Com 290 pontos de venda no Brasil, a Óticas Carol teve faturamento oficial em 2016 de R$ 674 milhões. No mercado brasileiro, a Luxxotica já atua com a operação da marca Sunglass Hut.

(Da Redação|SP)