“Quando os impostos caírem no Brasil, sairemos de seis para doze lojas Louis Vuitton no País”

A afirmação é de Michael Burke, CEO da marca francesa. Em entrevista ao portal Business of Fashion, o executivo principal da maison diz que as altas taxa de importação brasileiras já duraram tempo demais. Mas, ainda assim, o consumidor do Brasil continua forte no seu radar.

Ter recebido um desfile como o Cruise Collection 2017, da Louis Vuitton, em pleno Museu de Arte Contemporânea (MAC) em Niterói, no Rio – e que custou R$ 60 milhões para ser realizado (leia mais aqui) –, indicou que o Brasil permanece no radar das grandes empresas de luxo. A despeito da crise econômica e de questões sociais graves, o País (que é o maior mercado consumidor de luxo da América do Sul e reúne metade dos UHNW individuals do continente) se mantém como destino de investimentos dos principais grupos. E a coisa só não é maior por conta de velhas travas, como a alta carga tributária sobre os produtos importados.

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Michael Burke, CEO da Louis Vuitton

Antes da apresentação para 500 convidados – em sua maioria, clientes locais da marca –, ocorrida no final de  maio (assista ao vídeo do desfile no final do post), o CEO da marca, Michael Burke, concedeu entrevista ao portal Business of Fashion (BOF), e apontou os impostos como um dos principais vilões do desenvolvimento do setor. Para Burke, as elevadas taxas de importação praticadas no País já teriam durado tempo demais e precisam ser revistas. Ele garantiu que, se acontecesse, seus investimentos no Brasil dobrariam. “Se e quando acontecer, sairemos de seis para doze lojas aqui”, afirmou.
O executivo sabe que a tributação atual torna seus produtos cerca de 60% mais caros em relação ao mercado exterior, o que impacta negativamente nas vendas. Para se ter uma ideia, a bolsa Speedy 30, um dos best seller da marca, é vendida no Brasil a US$ 1.286 – o valor mais alto cobrado no mundo. Ainda assim, ele disse que permanece apostando no Brasil, “um grande país”, segundo ele, e que busca fortalecer a relação da Vuitton com os compradores locais. “Não somos ‘investidores de momento’, como se diz em Wall Street”, declarou. “Não somos surfistas atrás da próxima onda. Quem faz isso paga caro e perde uma chance de – o mais importante – não desenvolver um relacionamento com os clientes locais. E nós não fazemos isso.”

Pé no freio
Nos últimos anos, contudo, a Louis Vuitton tem adotado uma estratégia mais cautelosa em relação aos países do BRICS – grupo de nações em desenvolvimento que inclui o Brasil, a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul. Especialmente com a China, a marca tem reduzido constantemente sua presença física no país, com fechamento sistemático de lojas. Segundo Burke, este curso teria sido adotado antes mesmo da desaceleração no consumo chinês, mais evidente em 2015. “Colocamos o pé no freio lá antes porque aquela situação, com tanta diferença de preços, era duvidosa. A boa notícia é que sempre investimos no Japão, na Coreia, países que foram invadidos pelos turistas chineses no ano passado. A estratégia sempre foi reforçar nosso network global e estarmos prontos para estas volatibilidades”, disse.

Desfile da marca no MAC, em Niterói: sinal de prestígio do País

Desfile da marca no MAC, em Niterói: sinal de prestígio do País

O estudo recente da consultoria Bain&Co., publicado há um mês e que indica um crescimento modesto para o setor até 2020, de apenas 2% ao ano, não teria influenciado nas decisões atuais da companhia. Para Burke, investir em mercados que aparecem em baixa nestes relatórios ou com problemas políticos e sociais, como é o caso do Brasil, não significaria um erro. “Eu tenho feito coisas em lugares que são difíceis. Nós temos de ser ousados. Mr. Dior levou seu desfile a Moscou em 1955! Não vamos nos esquecer que nós estamos em um negócio onde nós prosperamos na audácia, na mistura de culturas e nos riscos assumidos”, concluiu.

(*) Artigo inspirado e adaptado de entrevista concedida por Michael Burke ao portal BOF – Business Of Fashion.

(Da Redação|SP)