Eventos de arte e design atraem marcas de luxo a Miami

Na semana de abertura da Art Basel Miami, marcas de luxo organizam eventos e promovem lançamentos visando conquistar consumidores entre colecionadores de arte e aficionados por design.

O jantar de gala da Panerai marcado para o dia 2 era um dos eventos mais aguardados da semana de arte e design que movimenta Miami, na Flórida, neste início de dezembro. No evento, para 250 seletíssimos convidados, a marca italiana de relógios de luxo faria uma homenagem ao designer suíço Yves Béhar, para o qual criou uma série especial de seu modelo Luminor 1950 (veja a foto em nosso Instagram: @businessluxo). Dias antes, a mesma Panerai apresentou oficialmente o layout de sua boutique na cidade, inaugurada em julho, com a assinatura da arquiteta espanhola Patricia Urquiola.
A Panerai não é a única maison de luxo a movimentar Miami nestes dias. A semana é uma das mais movimentadas do ano na cidade, concorrendo com a da feira de iates, em fevereiro. E é atrás deste frisson que muitas marcas têm apostado suas fichas em ativações junto ao público de arte: a Hermès celebrará a linha de lenços desenvolvida em parceria com o artista argentino Julio Le Parc; a Louis Vuitton apresenta sua coleção Objets Nomads, criada com a ajuda de dez designers internacionais; e Valentino faz festa para o artista Pietro Ruffo, que colaborou com a coleção outono-inverno 2015.
A própria loja criada por Urquiola para Panerai, no Design District – o lado mais cool da cidade – é uma atração à parte. Dentre os destaques do projeto está um candelabro preso no teto feito com imensos aros que lembram os mecanismos de funcionamento dos relógios.

Interior da boutique da Panerai no Design District: projeto de Patricia Urquiola para conquistar público artsy

Projeto de Patricia Urquiola na boutique da Panerai em Miami: para conquistar público artsy

Capital latina?
Tamanha agitação mostra que a cidade mais importante da Flórida se tornou, por ironia, a capital “latina” das marcas de luxo globais – eliminando concorrentes como São Paulo e Cidade do México. Fashion brands, alta relojoaria, joalherias, bebidas premium, todas fincaram suas bandeiras por lá, muitas das quais sediando ali sua base de operações para toda a América Latina.
O motivo é simples: com a bonanza econômica vivida pelos países dos BRICs na última década, Miami se tornou endereço certo de afortunados em busca de férias ensolaradas e refúgio para seus patrimônios financeiros. O lugar virou a segunda casa de muitos brasileiros e russos, o que chamou a atenção do mercado.
Com a chegada dos eventos de arte, liderados pela Art Basel a partir de 2001, Miami ganhou um verniz mais sofisticado. Novos museus foram abertos, galerias de arte internacionais abriram filiais, gente importante do assunto passou a trabalhar e morar na cidade. “As pessoas subestimavam o que estávamos fazendo aqui no começo”, disse Noah Horowitz, diretor da Art Basel Miami. Em entrevista ao jornal Miami Herald, o executivo afirmou que os artistas e as obras de arte mostradas nestes anos todos transcenderam a antiga reputação da cidade, que passou a ser levada mais a sério até mesmo dentro dos Estados Unidos.
O poder público local também fez a sua parte, investindo em melhorias estruturais e na criação de novos espaços culturais – como o Design District. O resultado de toda essa mudança é o novo status da cidade, considerada globalmente como um dos mais fortes destinos de investimentos no continente.

Loja da Bvlgari no Design District, o endereço mais cool de Miami

Loja da Bvlgari diante do Fly Eye Dome, no Design District: o endereço mais cool de Miami

Dinheiro estrangeiro
O turismo, não apenas de arte, também vem crescendo. Em 2014, a chamada Grande Miami recebeu 14,6 milhões de visitantes – aumento de 2,4% em relação ao ano anterior. Só de brasileiros foram 732 mil. Toda essa turma deixou na cidade US$ 23,8 bilhões no ano, com 70% deste total saindo de carteiras e cartões de crédito de turistas estrangeiros. No principal shopping da cidade, o Bal Harbour, cerca de 80% faturamento vem de clientes de fora.
Para a Art Basel, o diretor global da marca, Marc Spiegler, declarou que espera por muitos brasileiros “dolarizados” (leia mais da análise de Spiegler clicando aqui) gastando alto no seu evento. Ele pode esperar por outras nacionalidades também, principalmente os mexicanos que, além de ‘vizinhos’, são a bola da vez no luxo latino. Além do mais, o mercado de arte tem se mostrado um ótimo investimento, sobretudo em momentos de crise na economia.

Com informações dos sites BoF, Miami Herald e NYT.

(Da Redação|SP)