Yves Carcelle (1948-2014)

Um tipo raro de câncer nos rins tirou a vida de um dos mais importantes nomes da indústria do luxo mundial. O francês Yves Carcelle faleceu no último dia 30 de agosto, no Hospital Pitié-Salpêtrière, em Paris, aos 66 anos, deixando mulher e cinco filhos. Deixou também um dos cases mais bem-sucedidos de reposicionamento de marca no setor. No posto de CEO da Louis Vuitton, entre 1990 e 2012, ele conduziu a maison para o mais alto patamar de valorização no mercado de sua história. Em 2013, a Louis Vuitton liderou o ranking das marcas mais valiosas do segmento luxo, sendo avaliada em US$ 13 bilhões.

Uma transformação radical, que transformou a empresa de tradicional fabricante de bolsas e malas ao holograma mais desejado do planeta. Em suas mãos, o logotipo “LV” passou a significar uma espécie de carimbo no passaporte de quem sonha ingressar em um mundo de glamour e exclusividade.

Graduado na École Polytechnique e na Insead Business School, Carcelle marcou sua gestão pela coragem e ousadia. Em 1997, ele contratou um jovem estilista para recriar sua linha de sapatos e prêt-à-porter, fazendo florescer um novo mito da moda: Marc Jacobs.

“Ele sabia que isto era um negócio enorme e foi construindo isso”, declarou Jacobs ao jornal The New York Times. “Mas ele nunca esqueceu de que era também algo que ele desfrutava, algo divertido. E isto fez toda a diferença!, comentou o ex-pupilo.

Anos mais tarde, a mesma ousadia fez Carcelle apontar sua estratégia de expansão para além das fronteiras européias. Um plano agressivo que levou a Louis Vuitton a fincar sua bandeira em novos mercados, como o asiático. Hoje, a marca conta com mais de 1.300 lojas em 50 países e nos cinco continentes.

Ao mesmo jornal, Antoine Arnault, filho de Bernard Arnault, chairman do grupo LVMH, resumiu bem Carcelle: “Ele conseguia olhar para uma grande tela e prestar atenção nos pequenos detalhes. É o mix perfeito que você procura nos top managers.”

Para Carlos Ferreirinha, diretor da MCF Consultoria e ex-diretor da Louis Vuitton no Brasil por sete anos, Carcelle “foi o responsável de ter alterado a percepção do luxo no mundo.” Segundo o consultor, foi graças ao trabalho do executivo que a maison chegou ao patamar máximo de benchmark mundial.

“Ele acreditou no luxo democrático e fez disso a ferramenta estratégica de diferenciação da marca”, afirmou Ferreirinha. “E foi também meu mestre, meu professor, com quem aprendi a ver o luxo pelo viés da gestão”, concluiu.

(Da Redação|SP)

Yves Carcelle: legado de ousadia na gestão da Louis Vuitton

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